algumas algas

era importante. sentou ali na beira da lagoa, as pernas penduradas.

Sorriu ao lembrar do ônibus que tomava todas as manhãs, que seguia o rio. seguir o rio como tantos ancestrais, o rio que acompanhava para o centro da cidade.

mais do que importante. era necessário estar ali, em frente da massa uniforme de água, para mastigar. pra ruminar. pra relembrar e se ressentir com tudo que tinha feito e deixado de fazer.

“o mar a noite é tão bonito”. isso não é mar, é lagoa. “dá no mesmo”. Sentado no seco se banhava naquelas águas, tentando se lavar de tantos pensamentos. Aquela água que sempre dizia quando ele ia embora: “estarei aqui te esperando voltar”.

olhar a lagoa é higiene mental. o vento nos ouvidos… a brisa, o cheiro.

tinha algumas algas no meu corpo quando levantei.

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escrito em dois de abril de 2009, no estilo literário em minúsculas.

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